
A calculadora de risco cirúrgico tem como objetivo calcular e orientar pacientes, familiares e equipes de saúde sobre os possíveis riscos de uma cirurgia cardíaca que, necessariamente, foi indicada por apresentar benefícios para o paciente (Veja figura de avaliação do risco-beneficio).
Portanto para toda cirurgia sempre precisamos avaliar, além do provável benefício (melhorar a qualidade de vida), os riscos inerentes ao procedimento.
Infelizmente o risco é inerente ao procedimento mas a boa noticia é que ele pode ser controlado e até diminuído. Exatamente, os riscos começam a ser reduzidos quando o paciente e família colaboram com as orientações da equipe multidisciplinar. Na sequencia a equipe multidisciplinar trabalhará acima de protocolos que reduzam o risco em beneficio da melhor experiência do paciente.
Por este motivo precisamos, com ajuda de calculadoras, classificar se o risco da cirurgia é baixo, moderado, alto ou muito alto. Isto tanto para mortalidade como para outras complicações maiores como disfunção renal, infarto do coração, acidente vascular cerebral (derrame cerebral), sepses, insuficiência respiratória entre outros. Essas complicações também podem levar à morte, por isso elas devem ser prevenidas, identificadas, controladas e portanto, discutidas entre o paciente, família e a equipe multidisciplinar.
A classificação atual mais aceita para avaliar o risco de mortalidade é:
- Risco Baixo – paciente que pelas características próprias e a gravidade da doença apresenta um risco de morte <2%
- Risco Moderado – paciente que pelas características próprias e a gravidade da doença apresenta um risco de morte entre 2 e 5%
- Risco Alto – paciente que pelas características próprias e a gravidade da doença apresenta um risco de morte entre 6 e 10%
- Risco Muito Alto – paciente que pelas características próprias e a gravidade da doença apresenta um risco de morte >10%
Entende-se que existem fatores de risco não modificáveis como idade, sexo e outros. No entanto sempre existe espaço para otimização e ajuste dos cuidados durante toda a jornada do paciente no hospital. A escolha por protocolos e procedimentos menos invasivos deverão ser sempre a primeira escolha para o paciente. Desta forma, a escolha por procedimentos de maior risco mesmo com maior beneficio em longo prazo deverão sempre ser discutidos abertamente com o paciente e a família. Por outro lado, é importante, quando possível, evitar que o paciente seja operado de urgência ou emergência (ideal operar antes da descompensar). Pois desta forma não existirá tempo hábil para otimização pré-operatória, uma vez que estes pacientes entram no hospital com risco de vida se não fizer a cirurgia imediatamente.
É fundamental entender, que apenas um profissional qualificado poderá interpretar o cálculo de risco entregue pela calculadora, categorizar em qual grupo de risco você se encontra, bem como estudar minuciosamente seus potenciais riscos e desta forma mitigar ou tentar reduzí-los antes de sua cirurgia sempre contando com uma equipe multidisciplinar.
Para calcular seu risco cirúrgico você pode entrar em um destes sites:
http://riskcalc.sts.org/stswebriskcalc/calculate
http://www.euroscore.org/calc.html
http://repliccar.incor.usp.br:3838/prediction/
O primeiro é um site da Sociedade Americana de Cirurgia Cardio torácica, o segundo um projeto coordenado pelo grupo EuroSCORE e o terceiro uma calculadora criada com pacientes operados no Estado de São Paulo, Brasil. Com certeza esta ultima se torna mais fidedigna para os resultados locais, no entanto mesmo estes resultados precisam ser analisados junto com especialistas qualificados.
*Vale ressaltar que os valores de risco sugeridos pelas calculadoras precisam também ser ajustadas aos resultados e experiencia dos diferentes hospitais.
*O risco estimado é sem dúvidas o primeiro passo para uma equipe multidisciplinar interpretar e levar a discussão para o paciente e a família sobre os riscos e benefícios do procedimento proposto.
*Devemos ter cuidados na interpretação deste cálculo, pois existem algumas condições conhecidas de risco que não são incluídas por elas, devendo ser analisados separadamente como: fragilidade, antecedente de câncer, doenças autoimunes, etc.
A calculadora de risco cirúrgico é uma ferramenta utilizada tanto no Brasil quanto fora do Brasil, que indica o risco cirúrgico do paciente através de variáveis (características dos pacientes), as mesmas que possuem pesos / ponderações diferentes que resultam em uma somatória que representa a percentagem que o paciente tem de morrer ou ter uma complicação se ele fosse operado.
Cada variável inserida recebe um número de pontos, exemplo: se o paciente tem mais de 50 anos, recebe um ponto, caso tenha mais de 70 anos, recebe dois pontos e assim por diante. Caso seja diabética, recebe mais dois pontos, se for asmática mais um ponto e assim por diante. No final desse análise, o paciente receberá um total de pontos que indicará o quão grave é seu caso.
Vale salientar que nem sempre o resultado é uma somatória simples de pontos, porque a interação de duas condições podem agravar a bastante o prognóstico do paciente. Logo, duas condições graves individuais, podem se tornar extremamente complexas quando constam do mesmo paciente.
O inverso também é verdadeiro, ou seja, algumas condições graves individuais podem ser amenizadas por outras condições favoráveis do paciente. Alguns fatores podem ser mitigados, como por exemplo alguma doença detectada e que pode ser contornada antes da cirurgia.
Portanto, a análise é muito mais complexa do que apenas somar os pontos, e a capacidade humana em lidar com essa complexidade é inferior ao que a tecnologia nos oferece atualmente. A utilização da Inteligência Artificial é uma realidade cada vez mais utilizada na medicina e apoia em momentos de decisões mais complexas que os médicos atualmente vivenciam. No entanto, estes dados deverão ser interpretados por uma equipe multidisciplinar que junto com o paciente e a família definirão pela escolha do procedimento ideal, e principalmente do momento ideal.
Para conhecer o seu risco cirúrgico, clique aqui
Após o resultado, marque uma consulta com o seu médico para entender o resultado.
Se o risco foi menor que 2%, a classificação é RISCO BAIXO
Se o risco foi entre 2% e 5%, a classificação é RISCO MODERADO
Se o risco foi entre 5% e 10%, a classificação é RISCO ALTO
E, se o risco foi maior que 10%, a classificação é RISCO MUITO ALTO
Veja descrição nas abas abaixo.
Pacientes considerados de baixo risco representam a maioria dos pacientes operados. Existem relatos de que aproximadamente 60 a 80% da população total de pacientes operados são de baixo risco. Quando uma calculadora expressa um valor que pode ser considerado como de baixo risco (<2% de mortalidade) para aquele paciente, que passará por aquele procedimento e com aquela equipe cirúrgica. Quando conseguimos este valor a força da indicação é grande e deve ser expressado de forma transparente para o paciente e familiares. No entanto sabemos que todo cuidado é pouco, pois o excesso de confiança pode atrair resultados inesperados. Aqui a importância de sempre seguir todos os protocolos peri-operatórios. Evidências mostram que complicações em pacientes de baixo risco no geral estão relacionados com eventos adversos, os mesmos que podem inclusive levar a morte dos pacientes. Por isso a importância de identificação precoce para uma rápida reação da equipe.
O grupo de pacientes de risco moderado (2-5% de mortalidade) representa aproximadamente entre 10 a 20% da população de pacientes operados. Aqui embora o risco cirúrgico tenha se incrementado, no geral, a força de indicação se torna favorável a cirurgia. Desta forma as taxas de complicações existentes deverão ser controladas e otimizadas em função do maior risco nos pacientes.
Este grupo de pacientes (5-10% de mortalidade) responde por quase 80% das complicações hospitalares. Aqui a indicação de cirurgia pode se tornar questionável mas o risco de vida e a falta de outras formas de tratamento garantem sua discussão, que deverá ser definida junto com o paciente e a família. No entanto, quanto mais otimizados estes pacientes maior e melhor o resultado. Protocolos de melhoria deverão ser entregues durante todo o perioperatório destes pacientes. Evidências mostram que estes pacientes apresentam melhor evolução quando discutidos em grupos multidisciplinares (Heart Team), reabilitação cardiopulmonar antes e depois da cirurgia, aceleramento da recuperação cirúrgica através do ERAS e intervenções anestésico-cirúrgicas menos invasivas. Grande parte destes pacientes tem uma idade cronológica e principalmente fisiológica limitada para o stress cirúrgico. Esta síndrome conhecida como fragilidade é, ao contrário do que nos pensamos, reversível quando utilizamos protocolos de reabilitação, nutrição e da psicologia.
A indicação de cirurgia para este grupo de pacientes se torna muito questionável (>10% de mortalidade). Eles correspondem a menos de 2% dos pacientes operados em cirurgia cardíaca. Sendo assim, precisamos discutir os riscos do procedimento de forma transparente e objetiva com o paciente e a família , pensando menos na doença e mais no paciente como um todo. A cirurgia é indicada no contexto que traga benefícios, e não no final da evolução das doenças cardíacas. Por isso o ganho radica no momento ideal na qual é indicada. Além disso momentos de descompensação ou instabilidade da doença (choque cardiogênico) aumentam exponencialmente o risco cirúrgico o que prejudica qualquer tipo de beneficio que o paciente poderia ter tido previamente. A discussão de outros tipos de abordagem menos invasivas para esta fase do atendimento se fazem pertinentes pensando numa estabilidade do quadro e cirurgia futura.