A organização mundial de saúde na publicação de suas orientações para cirurgia segura (WHO Guidelines for Safe Surgery 2009) dá ênfase a seguinte afirmação: “SAFE SURGERY SAVE LIVES”. Baseados em nossa experiência e na literatura chegamos à conclusão de que hospitais não são locais seguros. Uma revisão sistemática demostrou que 1 a cada 150 pacientes admitidos em hospitais morre como consequência de um evento adverso (complicação), e destes quase dois terços são associados com cuidados cirúrgicos. Complicação de cuidados cirúrgicos tem se tornado a maior causa de morte e incapacidade no mundo. A análise de dados de 56 países mostrou que em 2004 o volume anual de cirurgias consideradas de grande porte foi estimado em 281 milhões, ou aproximadamente uma operação por ano para cada 25 seres humanos vivos. Um ponto que devemos ressaltar é que a normatização do processo cirúrgico não deve ser limitado ao centro cirúrgico propriamente dito, pois vários estudos têm demonstrados que a maioria dos erros ou eventos adversos (53 a 70%) ocorre fora da sala cirúrgica, antes ou após a cirurgia. A partir destes dados nos parece lógico que uma melhoria mais substancial na segurança poderia ser alcançada por gerenciamento em todo caminho do paciente cirúrgico : admissão, enfermaria / apartamento pré cirúrgico, centro cirúrgico,sala de recuperação anestésica, unidade de terapia intensiva, enfermaria / apartamento pós cirúrgico. Com este objetivo foi idealizado o Sistema de Segurança do Paciente Cirúrgico (Surgical Patient Safety System- SURPASS collaborative group) na Holanda. Para o melhor de nosso conhecimento, a influência do Sistema de segurança do paciente cirúrgico (SURPASS) não foi avaliada no cenário das cirurgias cardiotorácicas. Nós justificamos o estudo porque acreditamos que a formalização destes itens de segurança de forma rotineira e completa melhorará a atenção e a comunicação da equipe influenciando nos resultados. Para isto, desenhamos um estudo prospectivo, longitudinal e de intervenção para adaptação e implementação do SURPASS em hospital terciário de ensino especializado em cirurgias cardiovasculares. Avaliando o custo-efetividade da implementação do SURPASS entre pacientes operados de cirurgia valvar e coronária no maior hospital de ensino terciário da América Latina. Este será o primeiro estudo no mundo que avaliará o impacto de um instrumento abrangente entre os dois procedimentos mais realizados em cirurgia cardíaca.











